
AS BALADAS E O QUE EU (NÃO) SINTO SOBRE ELAS
Caros visitantes deste site, hoje irei divagar sobre o que acho de uma coisa que a maioria esmagadora das pessoas gostam: BALADAS.
Novamente antes de dar início ao meu esporte favorito, que é tentar arrancar toda a graça das coisas que as outras pessoas gostam, darei alguns alertas, mesmo sabendo que alguém vai ignorá-los totalmente e vai ficar esquentadinho levando tudo pro lado pessoal.
Nos próximos minutos você estará lendo sobre o que penso, sinto e observo quando frequento baladas. Não quero mudar a visão de ninguém sobre elas. Se você gosta, se intitula baladeiro e vibra quando sente o fim de semana se aproximando pelo fato de gostar das noitadas e tal, você tem todo o DIREITO!
Sério mesmo! Gosto de saber que as outras pessoas se divertem. Quer dançar? Beber? Ouvir as "músicas do momento"? Tentar "pegar" dezenas de gatinhas? Vá (sonhando) em frente amigão! Eu, por outro lado, não me animo tanto com essas coisas.
Aliás, não me animo NADA, e vou tentar explicar os motivos tentando descrever o roteiro básico de um "rolê de balada" pelo meu ponto de vista.
Então vamos lá.

1 - O CONVITE
Geralmente recebo um telefonema ou mensagem de algum amigo e a conversa segue sempre mais ou menos assim: - E ai TIRANO (seu cusão)! Beleza? Então, vai rolar um (pagode/funk/sertanejo/qualquer merda...) lá no (nome do barzinho/casa de show/boate...), vamos?
- Quanto vai custar?
- (Toma no seu cú) moleque, só pensa em dinheiro...
- Eu preciso saber o valor, não sou milionário...
- Vai ser R$ (coloque aqui um preço absurdo que com certeza a balada não vale, só pra entrar).
- Sei não velho...
- Deixa de ser morto porra, vai ficar em casa ai mofando? E além do mais vai ter "uma pá de mina" e também (insira qualquer argumento sem fundamentos aqui).
-Tá, tá bom velho, vamos sim...
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Então são acertados os detalhes como horário, local de encontro e etc...
Aí você que está lendo pode me questionar:
Se não é chegado nessas coisas por que você aceita o convite sua mula ? Pergunta razoável...
Aceito o convite pois caso não vá dificilmente terei outra oportunidade de encontrar meus amigos naquela semana, ou seja, não aceito o convite pela balada, mas sim pelos amigos e a companhia que me proporcionam.
Deu pra entender?
2 - O ENCONTRO ANTES DA ENTRADA
A partir de agora leve em consideração um grupo de homens solteiros, mas quando vai algum casal junto muda pouca coisa...
Assim como havíamos combinado anteriormente nos encontramos em algum local para irmos todos juntos, geralmente no carro de alguém, e então minhas observações da noite começam.

Todos na medida do possível bem arrumados, barbas feitas como nunca, pelos do nariz cortados, aquele "tênis branco da hora" comprado exclusivamente para essa finalidade...
E meu olfato? Agredido ferozmente pela mistura de perfumes dentro do carro com os vidros hermeticamente fechados, pois não temos um "conversível" como este da foto e o maldito frio do vento noturno nos obriga a manter o veículo lacrado.
Sorrisos nos lábios, está será uma grande noite! Vai um Halls aí?
3 - A CHEGADA NA PORTA DO ESTABELECIMENTO E A ENTRADA

"NÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓóóóóóóóóóó... só gostoooosaaaaaaaa... vai mais devagar!"
"Vixe velho, (só boy nessa porra), carrão pra todo lado e a gente nesse pau velho..."
Paramos nossa humilde carruagem em algum canto e descemos...
A expectativa e a empolgação pode ser sentida no ar (bom, a minha não né...), quase como eletricidade. Vamos nos aproximando da entrada e notamos que todos nós ganhamos um SUPER PODER perante as lindas, cheirosas e esvoaçantes damas!!!
INVISIBILIDADE =(
Estão ocupadas demais cochichando entre si e mexendo em seus celulares para perceber que os "garanhões da noite chegaram"... Tudo bem, somos benevolentes, perdoamos esse ultraje e ainda lhes daremos outras chances... lá dentro...
4 - RECONHECIMENTO DO TERRENO E ACOMODAÇÃO

Então finalmente chegamos.
O ambiente normalmente escurecido, a música alta, mais perfumes misturados e as vezes até feixes de lazer direcionados diretamente nas minhas pupilas me deixando cego por alguns instantes nos dão as boas vindas... Já que ninguém mais irá fazer isso.
Quando o local é visitado pela primeira vez fazemos inicialmente um "tour". Nosso grupo se organiza na formação espartana de "tartaruga" e vamos vasculhando o local em busca de ter uma visão geral e conseguir algum ponto estratégico para nos posicionarmos.
Feito isso vamos beber algo!
Eu particularmente odeio o gosto de qualquer bebida. O povo diz que gosta mas pra mim é só desculpa pra aguentar a pressão do que ainda está por vir...
Cada um com seu copinho na mão e em frente ao peito como se fossem escudos que nos protegeriam de alguma coisa e a outra mão no bolso da calça numa pose meio "parados na esquina"...
Neste ponto já não é mais possível conversar normalmente pois a música alta não mais permite. Qualquer comentário acaba sendo feito apenas ao cara que está ao seu lado, meio que ao pé do ouvido para ele poder escutar, e mesmo quando não entende nada o cara olha pra você e balança a cabeça concordando, mesmo que você o tenha chamado de ridículo.
O mais engraçado é que SEMPRE, SEMPRE MESMO alguém vira pra mim e diz: "Hoje tá zuado... semana passada tava melhor..." PORRA! Parece que "as semanas passadas" sempre são melhores, AUHAUHAUAHUA!!!
Será que sou eu que trago azar? Ou a coisa nunca é o que deveria ser?
5 - O DESENVOLVIMENTO DA NOITE
Ficamos ali e como mal podemos conversar nos comportamos como nosso ancestrais das cavernas. Afiamos nosso olhar em busca de eventuais "presas" em potencial.
De vez em quando passa alguma que faz com que nos entreolhemos em sinal de aprovação, mas ninguém se move ao ataque. E é aqui que eu passo de um "curtidor da night" a um observador da vida animal noturna. me afasto alguns centímetros e tento ver como as coisas funcionam, afinal pode ser que eu aprenda algo útil. Aposto que todos aqui já ouviram alguma vez na vida alguma historia sobre uma balada ÉPICA em que cada um dos participantes ficou com 30 mulheres lindas.
Eu também já ouvi muito disso, mas das duas uma: Ou eu nunca dei sorte de ir numa dessas ou então isso é FOLCLORE.
Outra coisa que observo é que nunca conheci ninguém em balada, a não ser alguém que encontramos por lá e que algum amigo do meu grupo já conhecia de outros carnavais...
Assim como chegamos lá com nosso grupo, as outras pessoas também fizeram o mesmo, e isso acaba tornando as coisas meio impraticáveis no que tange a conhece-las... Sabe aquelas "panelinhas" do tempo da escola? Então, é a mesma coisa, só que na escola pelo menos você aprendia o nome de todos através da chamada, mas aqui nem isso rola...
Aqueles caras que se diziam pegadores e falantes de outrora agora nada fazem além de olhar em volta.
6 - A PISTA DE DANÇA
Alguém então resolve que deveríamos ir para a pista de dança. Prefiro não saber quem foi, ou o mataria ali mesmo.
Eu como não danço só tenho duas opções neste momento: Ir até lá, me posicionar em algum lugar estilo "James Bond tomando Martini" e observar ou fazer o que mais costumo fazer: ir até lá, parar bem no meio, enfiar as duas mãos no bolso e ficar parado como uma estátua de aço. Não importa, ninguém liga mesmo. Eu poderia ser atropelado por um ônibus bem ali e ninguém notaria... Mas qual o motivo disso?
Estão todos hipnotizados, dançando e pode-se sentir os hormônios flutuando no ar abafado de maneira volátil... Mas novamente o que acontece?
NADA. A não ser os casais que já foram juntos não vejo ninguém se pegando com ninguém, e cá entre nós, ESTE É O OBJETIVO.
Homem que é homem não nega isso a menos que queira dar uma de hipócrita descarado.
E PARA MIM A GAROTA QUE DIZ IR A UMA BALADA SOMENTE PRA DANÇAR ESTA MENTINDO E PONTO. Mulher que quer só dançar chama as amigas em casa e todas dançam de pijamas e meia no carpete do quarto na maior alegria. Mas quando sai a noite vestida para matar o objetivo é outro, bem outro.
Noto sim os olhares flamejantes lançados em todas as direções, mas é como se todos estivessem em um labirinto de paredes invisíveis e os poucos que fazem algo são sumariamente ignorados ou rechaçados imediatamente.
7 - O RETORNO PARA CASA

Emfim chega a tão esperada hora (será que só por mim?).
Todo mundo tentando disfarçar a frustração de sair zerado... e aparece de novo o cara do "semana passada tava melhor cara!", tentando sabe-se lá como nos animar com isso, hahahaha. Carregamos os camaradas que beberam alem da conta, entramos no carro e voltamos silenciosamente pelas ruas quase desertas.
Aqui ou ali alguém faz algum comentário quase que invariavelmente sobre alguma garota que viu por lá ou o fora que tomou ou viu alguém tomar.
Vão sendo deixados em casa um por um, a despedida é meio que melancólica, como se nós estivéssemos voltando de uma guerra que perdemos.
Lá pelas tantas da manhã chego em casa. Vou ao banheiro, afrouxo o maldito cinto, lavo as mãos e o rosto, tiro a camisa e a calça e largo tudo por lá. Bebo um copo d'água e desabo sobre minha cama sentindo a carga evaporar da minha coluna e das minhas pernas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O ASSUNTO
Emfim, este é o roteiro básico de um "rolê de balada", pelo menos pelo que tenho conseguido observar sempre que saio.
Deu pra entender o motivo de eu não me animar com isso ? Mas por outro lado gosto de ser chamado, de ver a consideração dos amigos que sempre lembram de mim e de também poder vê-los, e por isso aceito e continuarei aceitando sempre que possível estes convites.
Volto a repetir que não tenho nada contra quem gosta ou consegue se divertir com isso. Vai lá CHAMP'S arrebenta!
Mas tenho certeza que ao ler o texto, em algum momento você se lembrou de algo, e quem sabe até pensou "puta é assim mesmo", e mesmo que por um breve instante sei que me deu razão, e isso me basta. EU VENCI!!! HAHAHAHAHA!!!
Deixo claro também que me refiro somente a este tipo de noitada. Não me refiro a comemorações de aniversário em família ou outras coisa do gênero onde os objetivos são claramente outros e o clima também.
Prevejo os defensores ferrenhos das baladas virem reclamar: -TIRANO seu cusão, blá blá blá, pega nínguem blá blá blá...
Para estes deixo que meu assessor de imprensa responda por mim:

Sem mais, de seu agora lord, senhor e rei das noitadas, TIRANO.
Agradecimentos ao Tirano que autorizou a reprodução do seu artigo aqui no Blog!
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